30 de março de 2011

E agora, José?


Dedicado a José Alencar, ex vice-presidente da República. Falecido ontem, em São Paulo; após 13 anos de batalha contra um câncer e enfrentando dezessete cirurgias, nunca perdendo a esperança e a vitalidade.
Foi, como tantos brasileiros chamados José, um vitorioso. Apesar de ser um grande empresário e ser muito rico; nunca perdeu seu jeito humilde, como bom Mineiro. Atendia a todos com sorriso e cordialidade. 
Não era próximo a mim, porém sinto a sua partida. Faço essa humilde homenagem àquele que, contrariamente a tantas pessoas que vivem nesse mundo, soube valorizar a vida. 
Segue abaixo, a transcrição do belo poema "E agora, José?" escrito por Carlos Drummond de Andrade e eternizado na canção de mesmo nome, composta por Paulo Diniz.
Vá com Deus, José!

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ? 


Está sem mulher,

está sem carinho,

está sem discurso,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

 

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?


28 de março de 2011

Pensamentos


Às vezes, fico me questionando: Quais os motivos que me levam a escrever?
Pensar e colocar no papel tudo o que sinto, a fim de transmitir meus pensamentos , por pra fora aquilo que guardo dentro do meu coração.
Escrever é como espalhar sementes em solo fértil; não se sabe quais irão vingar e transformar-se em vistosas árvores, dando frutos e disseminando as mensagens que por mim foram ditas.
Quem lê os textos por mim escritos, pode ou não captar as minhas ideias. Não escrevo para que necessariamente alguém leia, mas simplesmente para externar meus sonhos e a minha realidade.
Para mim, o ato de escrever é fundamental. É como se esculpisse na pedra uma mensagem que irá se perpetuar por todo o sempre.
O que foi escrito, está eternizado; já não faz parte de mim; está feito.
Agora, pertence ao mundo, faz parte do universo.

21 de março de 2011

Liquidificador de emoções

Pensar, agir, viver, sonhar
Sentir, saber, conhecer, acordar
Chorar, sorrir, conquistar, vencer
Alcançar, abraçar, caminhar, emocionar
Viver é estar em constante movimento
Mil pensamentos, mil sonhos
O mundo não para
Muitas vidas na mesma vida
Somos um, somos tantos
Misturar sentimentos, agregar experiências
Ir, voltar, subir e descer
Assim é a vida
Não podemos parar
Não podemos voltar
Dinâmica constante
O sabor da aventura
Um liquidificador de emoções

11 de março de 2011

Eterna madrugada

 
Bem-vindo, sereno da madrugada
Acolhe-me em teus braços, faça-me dormir
Traga a maciez da noite, o lume das estrelas
Do dia passado, somente lembranças
Do dia vindouro, muitas esperanças
A noite avança
O sereno faz-se presente
Em cada gota, um pensamento
De alegria, de amor, de expectativa
Tudo é envolto pela espessa névoa da madrugada
A vida se transforma, o ar se renova
Embalados pela ternura presente, difundem-se os sonhos
O frescor da manhã se aproxima
Vai-se o sereno, vem o orvalho da manhã
Tudo é diferente, um novo dia chegou
O mundo é o mesmo, são iguais as pessoas
A única certeza é que entre a vida e os sonhos
Sempre haverá uma madrugada

4 de março de 2011

Alegria, alegria


Quanta alegria, quanta folia
É carnaval!
Enxergar a vida com outros olhos
Colocar a fantasia
Dar vazão aos nossos sonhos
Brincar, pular e comemorar
A vida é uma festa
Quem dera fosse sempre carnaval
Todos alegres, todos cantando
Vivendo a vida como se fosse apenas aquele momento
E que a quarta-feira de cinzas nunca chegasse
Mas tudo tem seu tempo
Hoje é dia de festa; vamos aproveitar
E de alguma maneira tentar
Esticar essa alegria por todo o ano
Pois tudo tem um fim
O carnaval termina
A festa se acaba
A alegria continua

28 de fevereiro de 2011

Reviver


A fina chuva cai lá fora
Gota a gota, vão-se embora as minhas dores
 Renova-se minha alma
A vida recomeça
O velho dá lugar ao novo
A chuva faz renascer minhas esperanças
De que tudo revive, nada é eterno
Logo, o sol voltará a brilhar
Mas a chuva, que agora se faz presente
É e sempre estará viva em meu coração

21 de fevereiro de 2011

Pobre menino rico


Quando criança, sempre escutava meu pai dizendo : "Pobre menino rico".
Para mim, era difícil entender o que significava essa expressão. 
No meu entender, era complicada a ideia de que um menino seria pobre e rico ao mesmo tempo. Nunca conseguia entender a realidade daquela circunstância. 
De que maneira uma criança poderia simultaneamente, viver duas situações tão diferentes e tão distintas.  
Sempre fui uma criança curiosa, sempre a perguntar e questionar as coisas. 
Naquela época, eu era muito (confesso que ainda sou) emotivo e, quase sempre, chorava quando algo me intrigava ou deixava-me comovido.
Nesse caso, quando meu pai fazia essa afirmação, eu respondia prontamente com a seguinte pergunta: 
"Como é que pode, ser rico e ser pobre, hein?"

12 de fevereiro de 2011

Alimento da alma

 
Canto porque tenho vida
Vivo porque sou feliz
Em cada sombra, vejo uma luz
Da minha luz, faço as cores
Em todas as cores, brotam as flores
Em cada flor, sinto o amor
Amor em cada sorriso
Alegria em cada som
A música eleva meu ser      
Alegra o mundo, transforma a vida
Quem canta, a todos encanta
A música é o alimento da alma
Por onde passa, a paz se faz presente
Quem canta, vive em um mundo de sonhos
Portanto, não tenha medo
Abra o seu coração
Cante!


9 de fevereiro de 2011

Ao sabor dos ventos


Minha vida, meus pensamentos
Meus desejos, meus sonhos
Em uma velha folha de papel, registrei as linhas do meu coração
E lá se foram meus anseios, dentro de uma antiga garrafa
As ondas do mar encarregaram-se
De conduzir a velha garrafa ao seu destino
Destino incerto, viagem sem rumo
Minhas memórias seguiam ao sabor dos ventos
Sei, porém, que um dia chegará
Sei que por alguém minhas esperanças serão acolhidas
Meus gritos serão ouvidos
Uma luz se acenderá
A longa viagem não terá sido em vão
No tempo certo, na hora devida
A sorte foi lançada
Os sonhos chegaram ao destino final
O milagre aconteceu

31 de janeiro de 2011

Águas da esperança


Abençoada chuva, lava a alma e lava a terra
Traz esperança, traz a vida
Na fartura da colheita, é somente alegria
Na tempestade que devasta, é momento de recomeçar
A chuva chega, mas não é eterna
Seja benfeitora, seja arrasadora
O tempo se encarrega da sua existência
Em nossa vida, às vezes temos tempestades
Mas dela, podemos tirar proveito
Das suas águas, guardamos a experiência
De que tudo na vida passa
As águas, a correnteza, o temporal
Menos a nossa esperança