17 de outubro de 2011

A muralha

A grande muralha não foi construída em apenas um dia
Dia a dia, passo a passo, as pedras foram sendo sobrepostas
Não se sabia quando a grande obra estaria terminada
O que era certo, é que a muralha estava tomando forma
E que um dia, finalmente, ficaria pronta
E assim aconteceu
O tempo passou
Após muito suor e trabalho
Ali estava a grande muralha
Forte e imponente
Uma obra para eternidade
Quem soube esperar e acreditou
Percebeu que só a paciência e persistência
Levam-nos à concretização de nossos sonhos


10 de outubro de 2011

O tempo

 
O tempo é curto
A gota de orvalho resiste
Ainda é cedo
A brisa da manhã sopra suavemente
O Sol ainda não apareceu
A gota de orvalho permanece intacta
Como se quisesse prolongar sua existência
Mas ela sabe que precisa cumprir sua missão
Assim como tantas outras gotas, ela segue em frente
O tempo passa
O Sol desponta, com seus primeiros raios
O calor se faz presente
Pouco a pouco, as pequenas gotas vão se desfazendo
De repente, não mais lá estão
Fazem parte do passado
Missão cumprida
Mas existe um outro dia, nova madrugada, nova manhã
Aquela gota de orvalho vai ressurgir
E em outra pequena folha repousar
E assim, recomeçar tudo outra vez

3 de outubro de 2011

Certezas da vida


A beleza da vida é saber que o sol, mesmo com a chuva, continua a existir.
Não podemos vê-lo, mas sabemos onde ele se encontra...

27 de setembro de 2011

O possível existe


Tudo na vida tem um caminho
O rio que corre para o mar
As ondas do mar que nunca param
As nuvens que viajam no céu
A luz que atravessa fronteiras
Os pássaros, que partem em busca do verão
A Lua, que gira em torno da Terra
A Terra, que gira em torno do Sol
O tempo nunca para
Sempre há uma partida
Sempre há um destino
Não podemos caminhar sem rumo
É preciso saber para onde vamos
É preciso querer chegar
O possível existe
Está disponível para todos
Ir ao seu encontro depende nós
Dê o primeiro passo
Siga esse caminho

19 de setembro de 2011

Pensamentos


O vento soprou
A fina folha de papel, que no chão repousava
Alçando voo, partiu sem deixar vestígios
E com ela, foram-se meus pensamentos
Por tantos caminhos viajou
Sem rumo, sem destino
Mas um dia, sabia que a algum lugar chegaria
Pensamentos são como folhas de papel
Depos de libertos, a nós não mais pertencem
Pode ser que um dia eles retornem
Assim como a pequena folha pode voltar
É um ciclo que nunca se acaba
Os tempos serão outros
O outono já terá acabado
Será primavera ou verão
Outras folhas serão jogadas ao chão
E por outros ventos levadas
Novos pensamentos irão surgir
E tudo recomeça

12 de setembro de 2011

Projeto de vida


Era apenas um monte de barro
Colhido ainda úmido
Foi preparado e moldado
Ao forno quente levado
Era o mesmo barro
Agora, um belíssimo vaso
Transformado em relíquia
Mas sem perder sua essência
Doravante, suas formas abrigarão as flores
As sua composição rústica deu lugar à formosura
A natureza tem o poder de transformar
O que ainda é um projeto de vida
Pode transformar-se em sonho realizado

5 de setembro de 2011

Em busca da paz


Hoje é um novo dia
Amanhã não o será
O que se faz, está feito
Nada pode mudar
Pensar e agir
Fazer acontecer
Cada passo é decisivo
Rumo ao nosso destino
Mas para onde queremos ir?
É preciso saber
Cada um tem seu horizonte
Mas o que se busca é a paz
Cada um de nós percorre um caminho diferente
Alguns, um longo caminho
Outros, pequenas jornadas
Mas todos seguem em frente
Não se pode parar
Viver o agora
Viver o presente
Saber que o passo que se dá
Será um apoio para o próximo
E assim por diante
Viver o hoje
Com um pé no futuro

29 de agosto de 2011

Uma estrela no céu



Uma homenagem à avó de minha querida esposa Márcia e toda a sua família.

Há exatamente 100 anos, surgiu uma estrela; nascia Carolina Veronezi Mingarino. Seus pais, Vitório e Leonella vieram da Itália no início do século passado. 
Chegaram em Ribeirão Preto e aqui se estabeleceram. Carolina teve cinco irmãos e sua infância e adolescência foram vividas no seio de uma família muito dedicada. 
Não passou por privações, sua família tinha um padrão acima da média, sempre estudando em bons colégios e praticamente tinha supridas todas as suas necessidades.
Ainda jovem casou-se com Américo, que era enfermeiro. Dessa maneira, procurou dar continuidade à vida que Carolina levava e assim, tiveram 6 filhos: Wilma, Vanny; Wanda, Vagner, Vera e Valdete.
Carolina também chegou a trabalhar como enfermeira, acompanhando a profissão do marido. Trabalhou inclusive na casa de muitas figuras ilustres de Ribeirão Preto, onde veio a conhecer muitas pessoas e formar um grande círculo de amizades. Ajudar a quem necessitava, sem medir esforços, era sua maior virtude.
Com o passar do tempo, Américo passou a ter alguns problemas de saúde relacionados à parte respiratória. Foi acometido por uma séria tuberculose e por conta disso, foi orientado pelos médicos a não permanecer em ambientes fechados. 
Sua profissão de enfermeiro ficou prejudicada e ele, para prover a manutenção da família, passou a trabalhar como pintor de paredes. Dessa forma, estaria em um ambiente mais apropriado e respiraria um ar mais puro, não tendo a sua saúde desgastada.
Mas como o destino prega algumas peças em nossa vida, as coisas começaram a mudar.  Américo começou a beber e esse acontecimento iria mudar o rumo de tudo. Ele perdeu o emprego e nunca mais se firmou na vida. 
Apesar de beber, Américo não era violento, apenas dava trabalho e não conseguia se firmar em uma profissão. Era um bom homem. A renda familiar, então, diminui consideravelmente.
Mas Carolina, guerreira, não desistia. A necessidade de manter a casa era grande, e como forma de sobrevivência, passou a lavar roupas para fora. Abdicou de si para prover a família de toda necessidade que precisava: cuidar de todos para que nada faltasse em sua casa.
Como se não bastasse tanta dificuldade, seu filho Vagner também enveredou-se pelo caminho da bebida. Era mais um obstáculo que Carolina teve que enfrentar. 
Com o marido e o filho alcoólatras, precisou de muita força e determinação para que as coisas não fossem por água abaixo. Assim ocorreu até 1974, quando uma fatalidade abateu mais uma vez a família de Carolina. 
Américo, seu marido, foi atropelado por um caminhão e infelizmente, veio a falecer; foi uma perda inestimável. Era um momento de grandes mudanças e grandes superações. 
Com a perda do marido, Carolina precisava seguir sua vida; porém, sozinha. Já com 63 anos de idade, ela não esmoreceu. 
Com a indenização recebida pela morte de Américo, conseguiu construir uma casa e assim, dar uma tranquilidade um pouco maior a todos.
Com Vagner, Valdete e Vera ainda morando em sua casa e mais dois netos, Márcia (filha de Valdete) e Valdir (filho de Vagner), a necessidade de trabalhar era cada vez maior.
A atividade de lavar roupas tinha o auxílio de sua filha Valdete e dessa forma, ajudando um e outro, aqui e ali, a vida foi seguindo seu rumo.
Carolina era uma católica fervorosa. Alguns anos após o falecimento de seu marido, veio a se mudar para uma casa próxima à Igreja de Santo Antônio (a qual era devota), no bairro dos Campos Elíseos, tradicional em Ribeirão Preto. 
Nessa casa, ela criou os netos, e passou a morar com sua filha Vera e sua neta Márcia, que foi seu braço direito e a acompanhou até os últimos dias de sua existência. 
Os outros filhos já estavam encaminhados; com exceção do filho Vagner, que ainda bebia, mas não morava mais em sua residência.
Sua vida passou a ser ainda de trabalho e muitas orações. Cuidava da casa e não deixava de frequentar a Igreja. Assim foi; até que no dia 27 de setembro de 1990, já com a saúde debilitada, veio a falecer aos 79 anos em virtude de complicações do sistema respiratório. 
Até os últimos dias de sua vida, Carolina não perdeu a fé e a crença de que nenhum problema ou obstáculo iriam impedir de acreditar na vida. Sua alma era muito iluminada.
Carolina vive em nossa memória e em nossos corações. Ela está mais viva do que nunca. Seus ensinamentos e lições de vida ficarão para sempre. 
Hoje, seu nome é emprestado a uma das ruas de nossa cidade. Uma homenagem mais do que justa àquela que abdicou de si para servir ao próximo.
Parabéns, Vó Carolina, por esse dia. Que daqui a 100 anos seu nome ainda continue ser lembrado com carinho e amor. A estrela voltou ao céu e continuará brilhando eternamente.

22 de agosto de 2011

Nova vida

 
Uma porta e uma janela
Uma mesa quase vazia
Por cima, uma velha toalha
Um copo de café frio
Um pedaço de pão amanhecido
Um cinzeiro cheio
No pequeno e simples casebre
A porta ainda entreaberta
O vento frio que soprava
Balançava as cortinas
Num frenético balé de renda
O fogão de lenha ainda queimando
As cinzas traziam lembranças
De quem por ali passou
Mas vai voltar
O casebre não está vazio
Quem foi, logo ali estará
Esvaziará o cinzeiro
Comerá o pão com o café frio
Jogará as migalhas de pão pela janela
Fechará a porta
Chega a noite
A madrugada avança
O sol aparece
E tudo recomeça
Um novo dia, uma nova vida


15 de agosto de 2011

Queridas mãos




Mãos que trazem a cura
Mãos que acalentam
Embalam o sono de uma criança
Na terra, plantam o bendito fruto
Mãos que suplicam
Mãos que trazem a oferenda
Enxugam uma lágrima
Fazem um carinho
Mãos sofridas
Mãos pálidas
Mãos fortes
Com ternura, tocam o coração
Com bravura, suportam a dor
Mãos, queridas mãos
Que a tantos sofrimentos asistiu
Que a tantas alegrias presenciou
Sejam o fio condutor de minha caminhada
E a testemunha da minha vitória