15 de março de 2013

Descaminhos

Sobre a mesa, um cálice de vinho. Uma lareira acesa, a janela entreaberta, o vento frio da madrugada... Nada se ouve, o silêncio impera naquele aconchegante ambiente. 
O tempo corre devagar, o presente insiste em ficar no passado; o futuro parece não querer chegar... Ao longe, ouvem-se passos; pequenos passos, devagar a seguir até aquele ambiente aconchegante. 
O ruído dos passos dá lugar ao som de uma respiração ofegante; novo silêncio... Aquela figura sombria de alguém a vagar em seus pensamentos, toma em suas mãos o cálice de vinho. 
Levanta-o até a altura de seus olhos, sente o aroma da fina bebida, e num só gole bebe todo o  conteúdo que ali existia. Um suspiro, um sentimento de alívio... 
Aquele alguém dirige-se à lareira; senta-se ao chão e, meditando, agradece. 
Por tantas dificuldades enfrentadas, por tantos caminhos tortuosos, tantas subidas e descidas, enfim; tudo o que passou, serviu para valorizar o que hoje recebe. Os degraus que enfrentou ficaram para trás. 
Os descaminhos desapareceram. Nada mais existe: a tristeza, a incerteza, as dificuldades. E do cálice de vinho, só ficou o cristal...

1 comentários:

Anônimo disse...

LIndo, vamos saborear vários cálices de vinhos juntos!

Parabéns!

Márcia