
Depois de tanto caminhar, parei um pouco para descansar. Foram dias e dias de caminhada e finalmente, após incessante busca, encontrei um bom lugar para meu tão sonhado remanso.
Sentado à beira de um riacho; renovei minhas forças, saciando minha sede em suas límpidas águas. Um pouco mais à frente, uma frondosa árvore convidava-me para um merecido repouso.
A velha mangueira, certamente mais antiga que minha breve existência, era testemunha de muitos anos passados e tantos acontecimentos.
Comecei a observar a paisagem que revelava-me muito mais do que se pode imaginar. As folhas da mangueira caíam sobre o gramado, formando um imenso tapete verde.
Percebi que esse acontecimento pouco tempo duraria e que deveria aproveitá-lo enquanto durasse. Logo chegaria a ventania e tudo seria desfeito. Por mais que outras folhas caíssem, o cenário não seria o mesmo.
Os pássaros que se empoleiravam nos galhos da árvore, buscando o alimento nos frutos que ali brotavam, também eram sinal de uma existência ímpar. Talvez se, amanhã ao mesmo lugar voltasse, não encontraria os mesmos pássaros. E, possivelmente, os frutos não mais existiriam.
E assim, divagando sobre a vida, adormeci. Por horas a fio, sonhei profundamente. Em meus sonhos, imaginei um mundo em que tudo era eterno e que nada seria modificado pelo tempo.
Seríamos sempre felizes, e a natureza seria plena e absolutamente intocável. As árvores sempre belas, os pássaros sempre a cantar, as águas sempre limpas e claras, o sol com o mesmo fulgor.
Sabia que estava sonhando, mas teimava em não acordar. Queria ficar em meu novo mundo, cercado de sonhos e fantasias.
Mas como tudo tem seu tempo; acordei em meio a uma revoada de pássaros, que faziam algazarra nas águas do riacho à minha frente. Voltei à realidade.
Lembrei-me do sonho que tive. Ao mesmo tempo que lamentava não poder desfrutar da plenitude de uma vida perfeita, percebi que a excelência dessa mesma vida está sua imperfeição.
Cada um de nós necessita conviver com o incerto, e com a renovação dos caminhos. Porém, é importante que desfrutemos do momento presente, pois nunca se sabe se esse instante será revivido.
Como as folhas que o vento levou...