10 de junho de 2010

O valor da humildade

Já quase noite, cheguei em casa após um cansativo dia de trabalho. Apesar de exausto, agradecia por estar mais uma vez em meu lar, desfrutando do meu conforto e minha segurança.
Deixei minhas coisas em cima da cadeira da sala e rapidamente fui à cozinha preparar o meu jantar. Não havia muito o que escolher; uma sopa de fubá com o pão que havia comprado logo pela manhã, saciavam minha fome.
Um copo de água e nada mais. Enquanto acendia o fogo para fazer a sopa, divagava em meus pensamentos:
- Quantas pessoas nesse momento gostariam de estar no meu lugar? Protegidos do frio e preparando sua refeição. Sei que o que tenho não é muito, mas o suficiente para viver satisfeito.
Logo a sopa ficou pronta e sentei-me à mesa para jantar. Rapidamente limpei o prato e tomei o copo de água. Lavei a pequena louça que se formou na pia, e fui até o banheiro para tomar um banho quente.
Já descansado, deitei-me na sala e liguei a televisão. Não havia qualquer programa que despertasse meu interesse; então desliguei-a e fiquei ali mesmo, meditando acerca da minha vida.
Realmente, era um homem de poucas posses; morava em um barro afastado do centro e precisava tomar dois ônibus para chegar em casa, assim como percorria o mesmo trajeto para chegar ao serviço.
Pensei no meu trabalho; que, apesar de simples, era digno e daquela maneira tirava meu sustento. Minha função era frentista em um posto de combustível no centro da cidade.
Imaginava como seria minha vida se não fosse o pequeno salário que recebia, e dessa maneira conseguia manter-me. Dessa forma, tudo o que hoje tenho, veio com o suor do meu trabalho e da minha dedicação.
Não é muito; mas para mim, tenho o que preciso para viver satisfeito. Quantas pessoas têm tanto e cada vez querem mais.
Preocupam-se tanto com dinheiro, que sempre acham pouco o que recebem. Nunca estão realizados com seu trabalho; querem sempre ganhar mais e via de regra, põem defeitos nos seu colegas ou superiores.
Consideram-se cansados de tanto trabalho e tanta contrariedade. O apego aos bens materiais leva as pessoas a considerarem-se importantes pelo que têm, e não pelo que são.
Quantos deixam de comprar comida para ter roupas de grife ou simplesmente não pagam o aluguel para ter um carro do ano. Só pra impressionar os vizinhos, a família ou mesmo os colegas de trabalho.
Mas nesse mundo; percebi que, em determinadas situações, podemos e devemos aceitar condições que a vida nos oferece. Não que estejamos passando por cima de nossa dignidade; ou "engolindo sapos", como dizem.
É que o ser humano, por natureza, dificilmente pensa no futuro quando fatos negativos acontecem em sua vida. Não pensa que aquele trabalho, apesar de estressante e cansativo, traz-lhe o sustento e a oportunidade de crescer profissionalmente.
Não dá valor ao pouco que tem e cada vez quer mais, perdendo-se em sua ambição desenfreada. Mas fazer o quê? Cada um tem um modo de encarar a vida. Pelo menos posso viver de maneira digna, apesar de simples.
Aprendi a viver amando tudo o que tenho. Se posso ter minha moradia, alimentar-me de maneira adequada, se tenho saúde e disposição, pouco mais preciso para ser feliz.
A partir do momento em que percebo que tenho saúde, disposição para o trabalho, amigos verdadeiros, a família ao meu lado, um teto que me abriga, dispor de uma boa alimentação; posso considerar-me um homem plenamente realizado.
Meu horizonte está sempre ao meu alcance e nunca me perco em minhas pretensões. Ambição? Claro que tenho. Mas de maneira equilibrada, passo a passo. Se o meu destino está reservando alguma coisa boa, será em virtude de meu merecimento; e com certeza, chegará na hora certa.
Acredito que uma força superior rege nossas vidas e sempre há tempo para recomeçar. Cada dia é uma nova oportunidade e todos aqueles que se encontram desorientados em seu caminho, podem ter certeza que Deus está sempre ao nosso lado.
Não importa quantas vezes sucumbimos por não seguir a luz Divina, o que importa é querer levantar. Erguer a cabeça e seguir em frente, vendo o mundo com outros olhos.
Adormeci ali mesmo na sala. Depois de uma noite tranquila de sono, levantei-me e tomei um bom café. Após um banho relaxante, troquei-me e saí para o trabalho. Uma longa caminhada até o meu destino.
Levava no bolso apenas o dinheiro para o ônibus. A um quarteirão do ponto onde tomaria minha condução, deparei-me com uma humilde senhora que abordou-me e assim disse:
- Meu senhor, faz dois dias que eu não como; será que poderia me arrumar um trocado para comprar um pão e matar minha fome?
Pensei comigo:
- Esse é o único dinheiro que tenho para chegar até o trabalho. Se dispuser dessa quantia, como farei para chegar lá?
Sem pensar, coloquei a mão no bolso e dei o que tinha àquela senhora. Sabia que teria que ir a pé para o trabalho, pois nada mais tinha comigo.
Ela então agradeceu, abençoou-me pela minha gratidão e partiu em busca do pão que tanto queria.
Cheguei atrasado ao serviço e levei uma repreensão de meu chefe. Fazer o quê? Mas pelo menos percebi que, mesmo com minha pobreza material, ainda tinha condições de fazer feliz uma alma que nem um teto tinha.
Minha riqueza e meus valores são outros. Valiosos para mim e tão distantes para tantas pessoas que se acham poderosos e inatingíveis.
Esquecem-se de que o sol brilha para todos, mas só é aquecido aquele que tem o coração aberto para a humildade.

10 comentários:

Anônimo disse...

Oi Pedro!
Esse post me atingui em cheio.


Gustavo

Anônimo disse...

O sabor da difuculdade, a principio é amargo, certamente depois adoçará e valorizará todas as conquitas, máterias e sentimentais, na proporção de sua intensidade. A humildade é uma virtude.
Parabéns pelo texto.

Profa. zezê

Anônimo disse...

Pedro... cada texto, cada história,cada frase sua... um ensinamento na minha vida.

Obrigada por partilhar a sua vida comigo.

Te Amo

Márcia

Anônimo disse...

Cada mensagem do Pedro dá mais clareza para minha filosofia de vida. Essa me toca muito, pois é um resumo bem preciso do que eu penso.

Obrigado

Célio

AZÁLIA BRUZADIN disse...

Olá querido

Que bonito está seu Blog!
Textos muito significativos.
Passei hoje por aqui, esperando encontrar uma mensagem para mamãe.
Quem sabe amanhã né?

Beijos a vc e Márcia

Anônimo disse...

Muito proveitoso o texto.


Rafaela

Anônimo disse...

Com certeza sua inspiração vem do alto... cada dia nos transmite luz com palavras tão sabias, conhecimento e aprendizagem. Que suas palavras sejam sempre luz no fim do tunel, como que com certeza tem sido para muita gente..

Fica na paz!

Marlene

Anônimo disse...

é um prazer imensurável ler diariamente seus textos.


Um forte abraçoa pra ti.


Théo

Anônimo disse...

Você não tem noção de como ajuda essas palavras diárias.. caem como uma luva diariamente.


valeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu


Henrique

Anônimo disse...

HUMILDADE

Esta palavra deveria ser vivida, não escrita.

Parabéns pelo texto.

Valter